Duas visões: a ‘pílula do câncer’ deve ser liberada no Brasil?

maio 20, 2016

Promessa de vida mais longa ou irresponsabilidade médica? A fosfoetanolamina sintética, a chamada “pílula do câncer”, está no meio de um debate que ganha mais um capítulo hoje.

Nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal julgou de forma cautelar uma ação da Associação Médica Brasileira (AMB) que questiona a lei que libera o porte, o uso, a distribuição e a fabricação da substância, supostamente eficaz no combate contra tumores. Por seis votos, os ministros do STF decidiram suspender a lei que liberava o uso da fosfoetanolamina. Ela fica suspensa até o julgamento definitivo da ação. Quatro ministros votaram pela liberação da substância apenas para pacientes terminais. Sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff em abril, o texto permitia que pacientes diagnosticados com a doença usem a fosfoetanolamina por livre escolha. A sanção foi criticada pela comunidade científica por liberar um composto que não tem registro na Anvisa nem eficácia comprovada. Produzida há mais de 20 anos, a fosfoetanolamina sintética foi estudada pelo professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, no Instituto de Química da USP em São Carlos, e distribuída gratuitamente durante décadas para pacientes. Em abril, o presidente do STF , Ricardo Lewandowski, autorizou a USP a interromper o fornecimento das pílulas, o que levo